Blog que pretendia usar para divulgar ilustrações e meu primeiro post é um texto. Engraçada a vida né?
Eu nunca fui bom com palavras. Lembro-me que, quando mais novo, detestava as aulas de literatura e redação. Detestava a leitura, achava perda de tempo. E assim foi por muitos anos.
Com o tempo, comecei a gostar mais de ler, mas mesmo assim, minha expressão verbal nunca foi muito forte. Não consigo verbalizar direito meus pensamentos e meus sentimentos, e confesso, não sei nem mesmo escrever uma carta de amor ou uma real declaração. Sempre me expressei mais através da imagem e de ações.
Porém hoje senti uma imensa necessidade de escrever. Não conseguia dormir, estava ansioso, angustiado, coisa que não é muito comum acontecer. Meu coração fazia muito barulho, eu o sentia explodindo em minhas têmporas e me distraía a cada batida. O sono não vinha, tentava me concentrar, contei até 100, cadenciei a respiração, comecei novamente, e no meio da contagem, um turbilhão de pensamentos atacava minha mente sem parar. Não há como eu expressar o que eu estou sentindo através de imagem ou ação... é preciso escrever. Não consigo explicar esta vontade. Não sei de onde veio, mas senti que não iria conseguir dormir se não escrevesse, não interessa o que fosse. Provavelmente serão somente diversas divagações sem sentido, mas tenho o sentimento de que no fundo, isso vai ter algum significado, ao menos para mim.
Agora não sei bem por onde começar, apesar de já ter começado. Então vou simplesmente deixar as coisas fluírem.
Tenho um bocado de livros em minha estante que estão esperando na fila para serem lidos. A grande maioria sobre fantasia, coisas que não me fazem sofrer, nem pensar muito, somente ler e relaxar. Normalmente é só o que preciso. Porém, no meio destes livros, há alguns que falam sobre psicologia e filosofia, e estes, normalmente ficam parados por mais tempo, porém não por esquecimento.
São livros que estão lá apenas esperando o momento oportuno de serem chamados. Isso acontece algumas vezes, fico pensando se isso acontece com outras pessoas também. Tenho livros que estão lá parados, e alguns já comecei a ler, porém, não terminei. São livros que leio trechos em uma noite, às vezes apenas alguns parágrafos, e já é muito. E são livros que, assim como esta vontade inexplicável de escrever, têm momentos que eu sinto uma inexplicável vontade de ler.
Foi o que aconteceu hoje. Aquele livrinho que estava encostado... aquele livrinho que eu sabia que ia pegar para ler algum outro dia novamente, que eu sabia ter conteúdos que despertariam perguntas, que seriam respostas a dilemas e angústias interiores.
E aí eu começo a pensar... e a partir daí... não consigo mais dormir. Uma única questão que me brota à mente, de repente, vira um mundo de questões, que provavelmente nunca terão respostas.
Enfim, um pensamento aleatório que me veio foi que: quando somos pequenos, nosso mundo é muito pequeno, e ele nos parece imeeeeenso. E quando crescemos, nosso mundo é imeeeeenso, mas parece tãaaaao minúsculo. Às vezes tenho vontade de voltar àquele mundo pequeno, sem muito conhecimento... pois quando crescemos, eventualmente aprendemos que a vida é cruel. Nós nos encantamos com coisas num dia, vivemos fantasias alegres e sorridentes, bobos inocentes pensando mil maravilhas, só para um dia a vida te dar um tapa fundo lá na alma e você se vê imerso em um oceano de dúvidas, lástimas e angústias que muitas vezes vêm até mesmo dessas fantasias alegres e sorridentes. Mas isso passa, e um dia nos encantamos novamente, vivemos outras fantasias para logo depois levarmos outro tapa.
A meu ver, isso é um resumo da vida. E neste exato momento, estou me sentindo mais no oceano de dúvidas do que na fantasia alegre e sorridente. Talvez por isso esteja sentindo a necessidade de escrever. Acho que algo dentro de mim está mudando.
Faz parte do nosso aprendizado, do nosso crescimento. São dias felizes e dias tristes... e o mais cruel de tudo... não vai ter final feliz. Vamos todos morrer no final, e isso vai trazer tristeza a outras pessoas que levarão um tempo até ficarem alegres e viverem novas fantasias. E assim, recomeça o ciclo.
E chega um determinado momento de nossas vidas, que escolhemos uma pessoa para compartilhar deste ciclo. E o que acontece é que essa pessoa na verdade vai nos trazer novos ciclos. Vamos ficar felizes e alegres por elas, mas vamos eventualmente ficar tristes e duvidosos, e até o dia da nossa morte, isso se repetirá várias e várias vezes.
E o que nos faz escolher essa pessoa? Dúvida que nunca será respondida.
Certamente não é pela atração física, pois se fosse estaria até hoje com minha primeira namorada. O quê então? Maldita pergunta que está me assombrando?
Tenho pensado bastante sobre isso ultimamente.
Já passei por vários relacionamentos, e todos eles nada mais são do que outros ciclos. Como a vida! Nos apaixonamos, nos encantamos, ficamos cegos, burros, bobos e desajeitados, para logo mais ficarmos deprimidos, angustiados, irritados, nervosos, até acabar, ou o relacionamento, ou o ciclo.
E se isso sempre se repete então por que escolhemos tanto?? Por que passamos anos das nossas vidas conhecendo alguém para depois abandonar ou ser abandonado, se o próximo que vier, serão as mesmas coisas? Claro, com motivos e situações diferentes, porém, na essência, são as mesmas coisas.
Não sei porque escolhemos, mas, gostaria então de tentar não escolher mais. Quero muito tentar seguir minha vida e meus ciclos com uma só pessoa e não precisar passar por todo o início novamente... depois de um tempo, recomeçar fica tedioso e cansativo, desanimador, e assim acabam algumas pessoas ficando eternamente sós. Talvez isso seja melhor, viver apenas os seus próprios ciclos, sem deixar que os outros te tragam mais alegrias, mas junto com elas mais sofrimentos muitas vezes desnecessários.
Pode ser que seja melhor para alguns, mas eu não acredito nisso. Eu sinto necessidade de compartilhar meus ciclos com alguém.
E às vezes por mais que tudo pareça estar bem, feliz e alegre... sinto ali no fundo uma tristeza e um desânimo sem saber de onde vem. Talvez eu já esteja sentindo outro ciclo chegar.
E ele vai chegar.
Mas depois vai passar.